domingo, Abril 3

Palavras boas e palavras más

Na entrevista de António Borges (AB), ao Público (1.Abril)


"AB: Essas empresas sabem governar a sua vida, sabem o que lhes interessa. O que uma política económica deve fazer é criar condições para que outras empresas apareçam, e que sejam inovadoras. Deve também contribuir para modificar a estrutura da economia, criando espaço para as empresas funcionarem, libertando recursos. Não falo contra as empresas grandes e
antigas, falo a favor das novas.

Público: A sua moção é neoliberal?

AB: Não. Vai é ser uma moção que apresentará um modelo económico muito mais
moderno, mais orientado para o futuro e para novos agentes de mudança, que hoje
nem sabemos quem são."


Como por aqui se pode ver, António Borges, que eu e muito outros gostavam de ver liderar o PSD, sabe que não pode dizer palavras más. As políticas que ele defende sãoas que nós liberais achamos as correctas, porque são LIBERAIS, estimulam o trabalho, o mérito, a igualdade de condições e a responsabilidade, mas ele não pode usar essa palavra. Só nós, porscritos extremistas NEOLIBERAIS, no nosso anonimato, o podemos fazer. Palavra má: liberal. Palavra péssima: neoliberal. Palavra aceitável: MODERNA. Também Sócrates, quando foi eleito Secretário Geral não usou o slogan Uma Esquerda Decente (por não estremista) ou mesmo Liberal (porque é isso verdadeiramente que o demarcava de Alegre e Soares), não. Usou a palavra politicamente aceitável: MODERNA.

A lição do dia, para quem quer ser político: palavra boa: MODERNA. Palavra má: LIBERAL. E porquê? Simplesmente porque a Esquerda criou um mito, o mito de que o Liberalismo é mau. Um mito que se fosse verdadeiro teria aplicação prática. Mas não tem. Tem sobretudo uma aplicação semântica, pois as ditas medidas necessárias, e modernas, são na grande maioria aquelas que nós defendemos.